quinta-feira, 3 de março de 2016

8 de Março


Conta a história que no dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica têxtil em Nova Iorque entraram em greve e ocuparam a fábrica reivindicando redução do horário de trabalho de 16 horas para 10 horas por dia, além do mais, recebiam cerca de um terço do salário dos homens. Essas mulheres foram trancadas na fábrica e um incêndio matou cerca de 130 delas. Em 1910, na Dinamarca, foi realizada uma conferência internacional de mulheres, onde foi acordada a data de 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, em homenagem àquelas trabalhadoras vítimas do incêndio. Porém, a data só foi oficializada no ano de 1975 pela ONU. O 8 de março nasceu com o objetivo de se ter uma renovação constante na luta de igualdades entre os gêneros.

À medida em que as mulheres tomam a consciência de seu real valor perante a sociedade, menor a distância e as desigualdades. Ao longo da história, houve diversas manifestações grandiosas na luta para os direitos da mulher em todo o mundo, destacando grandes figuras como Joana d’Arc (chefe militar na França); Maria Quitéria (símbolo da resistência baiana na luta pela independência); Ada Lovelace ( considerada a primeira programadora da história, desenvolveu algoritmos para cálculos); Marie Curie ( única mulher a receber um Prêmio Nobel na área científica); Valentina Tereshkova ( primeira mulher no espaço); Margaret Thatcher (primeira ministra do Reino Unido); Christine Lagarde (primeira mulher no comando do FMI) entre muitos outros exemplos como Madre Teresa, Zilda Arns, Malala, líderes fortes e atuantes em diversas áreas que lograram êxito e conquistas importantes para a mulher de 1900 até hoje.

Então, nada mais justo que um dia especial destinado somente às mulheres, não acham? Dia de receber elogios, mimos, flores, presentes e homenagens. Não é à toa que o comércio já tem esse dia inserido como atividade financeira no mercado, assim como a páscoa e o natal, desvirtuando o verdadeiro significado das datas em prol do lucro estimulado pelos veículos midiáticos. Ah, mas os homens também ganharam um dia no ano, o 15 de julho, alguém sabia? Dia internacional da saúde do homem. Parece piada, mas existe sim. Será que todos terão um dia especial? E quando acontecer isso....o que de especial terá? Imagine todo dia ter que parabenizar ou presentear algum parente ou amigo que faz aniversário,  a vida será uma grande festa ou então, mais provavelmente, vai perder a graça.
Mas, enquanto houver discriminação e machismo, o dia 8 de março deverá servir de alerta e respiro para que as mulheres não se deixem subjugar nem retroceder em suas árduas conquistas. Estou convicto que a igualdade entre os gêneros virá, a passos lentos ou largos, em  suas mais diversas manifestações. Cabe a todos nós seres humanos, dignos e conscientes em moral e ética, reprimir qualquer forma de violência às mulheres em qualquer ambiente, seja profissional ou familiar, denunciando às autoridades competentes e dando apoio às vítimas. Assim como, fomentar, através de leis, a igualdade no mercado de trabalho, seja em questão salarial ou de competências e cargos. A nossa constituição de 88, assim como a ONU, é muito solícita e humanitária, basta transpor do papel para o cotidiano que, em pouco tempo, o dia 8 de março será apenas uma data suave e romântica em todo o mundo.

Enfim, poderia tecer elogios melosos agora e terminar esse texto como um gentleman, mas prefiro ser realista e expor minha real admiração pelas mulheres fortes que se dedicam de corpo e alma não ao seu umbigo, mas à dignidade da pessoa humana como um todo, sem se importar com o politicamente correto, nem muito menos se igualando aos homens pelo seu lado corrupto, pois de que adianta lutas e brigas ferrenhas para, no fim, se igualarem pela falta de escrúpulo dos homens que tanto abominam. A essas mulheres, falsas feministas, apenas o meu repúdio. E para não ser tão mal humorado, meus parabéns sinceros a todas as mulheres lindas ou não tão lindas, mulheres de Vinícius ou de Jabor, que no fundo são apenas meninas crescidas em alma, donas de corpos que nos embriagam os olhos, possuidoras da chave da paixão, jogadoras no amor e na vida, batalhadoras nas comunidades e faculdades, administradoras do tempo, mulher Bombril multifunções, que tanto amamos e desejamos, razão de calvície precoce e de alegria sem fim, tudo junto e misturado,  a única fonte de vida, a própria razão da existência humana.


2 comentários:

  1. Antes de sermos mulheres, devemos recordar que somos humanas, talhadas pelas mãos divinas (para quem crê), assim como nossos semelhantes do sexo oposto. O dia 8 de Março, de fato, deve ser comemorado, mas não apenas o dia como o ano inteiro. Deve-se celebrar a razão de hoje sermos abarcadas pela proteção de Direitos e deveres que o constituinte deu à Carta Magna de 1988, funcionando em sua plenitude cada vez menos no papel e cada vez mais aplicada a nós de forma efetiva. Mas, ainda há muito a ser feito, a ser erradicado em nossa cultura que ainda nos vê como seres inferiores , dominadas por nosso sentimentalismo aflorado, mesmo que se tenha passado quase três séculos de nossa luta. E na necessidade de provar que não estamos nos tornando superprotegidas por leis como o “Feminicídio” e a “Maria da Penha”, mas sim, estamos buscando equidade de espaço e de direitos, afinal, também contribuímos para o crescimento da sociedade como um todo.

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  2. Excelente texto! Muitas conquistas, sim. No entanto, precisamos ir além das atuais conquistas. Desde a Antiguidade a mulher era considerada imperfeita por natureza, num degrau abaixo do homem na hierarquia social. Já no final do Século XIX, as mulheres mobilizaram-se no Brasil e no mundo em prol de direitos civis, políticos e sociais. Elas eram vistas como "homens invertidos", impotentes como as crianças ou escravos, mesmo assim iniciaram sua luta por reconhecimento indo de encontro aos esforços dos conservadores para justificar sua exclusão da cidadania moderna ocidental, pois era politicamente necessário legitimar como natural o domínio do homem sobre a mulher. Hoje percebemos uma valorização da identidade feminina e dos direitos das mulheres (embora muito ainda voltado numa visão machista, onde a questão se resume a temas como uma disputa de reconhecimento de paternidade, pensão alimentícia e violência doméstica, por exemplo). Mas o debate não pode ser minimizado dessa forma, se analisarmos que o direito ao sufrágio só foi obtido pelas mulheres brasileiras em 1932 e que, apesar de considerarmos, em pleno século XXI, uma pseudo igualdade de gêneros, os salários entre homens e mulheres continuam sendo diferentes e mulheres continuam sendo violentadas por seus companheiros impunes. Então, mulheres guerreiras, Bombril, de Vinícius e de Jabor, e por que não as Balzaquianas também, avante!!!

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